📘 i-Lúmen · Manual do Usuário v0.4.0
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16. Guia dos Cálculos

Para cada cálculo você verá: a fórmula em linguagem simples, de onde vêm os dados, um exemplo passo a passo e o que o resultado significa para a sua decisão.

16.1 Tráfego em bits por segundo (bps)

As OLTs/ONUs contam bytes acumulados (um número que só cresce). Para virar "velocidade", o i‑Lumen compara duas leituras seguidas.

Cálculo de tráfego em bits por segundo a partir de duas leituras

Figura 4 — Duas leituras de bytes acumulados viram velocidade: diferença × 8 ÷ tempo.

Fórmula (linguagem simples):

bps = (bytes_agora − bytes_antes) × 8 ÷ (segundos entre as duas leituras)

De onde vêm os dados: os contadores input_bytes_total e output_bytes_total de cada ONU, capturados pela coleta periódica.

Exemplo passo a passo:

Leitura 1 (10:00:00): 1.000.000.000 bytes
Leitura 2 (10:01:00): 1.045.000.000 bytes

1) Diferença de bytes: 1.045.000.000 − 1.000.000.000 = 45.000.000 bytes
2) Converter para bits: 45.000.000 × 8 = 360.000.000 bits
3) Tempo decorrido: 60 segundos
4) Taxa: 360.000.000 ÷ 60 = 6.000.000 bps = 6 Mbps

O que significa: essa ONU usou em média 6 Mbps naquele minuto. É o número que aparece nas colunas de tráfego e nos gráficos por ONU.

Saiba mais — por que às vezes não há valor? Se o contador "voltou" (a ONU reiniciou), a diferença fica negativa e o sistema descarta a leitura, em vez de mostrar um pico falso.

16.2 Saúde da Planta da ONU

Cada ONU recebe um estado de saúde, decidido por uma sequência de regras (a primeira que encaixar vence).

Escada de decisão da classificação de saúde da ONU

Figura 5 — A sequência de regras que define a cor de cada ONU. A primeira condição verdadeira decide.

Fórmula (linguagem simples):

1. Estado é "LOS"?            → 🟠 LOS
2. Estado é "DyingGasp"?      → 🟣 DyingGasp
3. Está "OffLine" / sem sinal? → ⚪ Offline
   Senão, pelo sinal recebido (RX):
4. RX ≥ −25 dBm              → 🟢 OK
5. RX entre −27 e −25 dBm    → 🟡 Atenção
6. RX < −27 dBm              → 🔴 Crítico

De onde vêm os dados: o estado operacional (oper_state) e o sinal recebido (down_rx_pwr_onu), da última coleta de saúde de cada ONU.

Exemplo passo a passo:

ONU A: estado "Working", RX −22 dBm  → −22 ≥ −25  → 🟢 OK
ONU B: estado "Working", RX −26 dBm  → entre −27 e −25 → 🟡 Atenção
ONU C: estado "Working", RX −29 dBm  → −29 < −27 → 🔴 Crítico
ONU D: estado "LOS"                  → 🟠 LOS (nem olha o sinal)

O que significa: este estado define a cor da ONU em todas as telas e alimenta a Saúde % da planta = (ONUs OK ÷ total) × 100. É a base para priorizar atendimento: 🔴 e 🟠 primeiro, 🟡 como preventivo.

16.3 Tráfego agregado da planta

Soma o tráfego de todas as portas PON ao longo do tempo, para o gráfico de 24h.

Fórmula (linguagem simples):

Em cada janela de tempo (ex.: 30 min):
  para cada porta PON, pegue a leitura mais recente da janela
  some o IN de todas as portas  → IN total
  some o OUT de todas as portas → OUT total

De onde vêm os dados: o histórico de telemetria das portas PON de todas as OLTs.

Exemplo passo a passo:

Janela 21:00–21:30, leitura mais recente de cada porta:
  Porta 1: OUT 2,0 Gbps | IN 0,3 Gbps
  Porta 2: OUT 3,1 Gbps | IN 0,5 Gbps
  Porta 3: OUT 1,4 Gbps | IN 0,2 Gbps

OUT total = 2,0 + 3,1 + 1,4 = 6,5 Gbps
IN total  = 0,3 + 0,5 + 0,2 = 1,0 Gbps

O que significa: mostra a carga total da planta hora a hora. O sistema também guarda os picos (maior valor do período), exibidos no título do gráfico.

Saiba mais: usar "a leitura mais recente por porta" evita contar a mesma porta duas vezes. Por isso o valor é uma tendência confiável, mas não uma medição de faturamento.

16.4 Histograma de sinal óptico

Conta quantas ONUs estão em cada faixa de potência recebida.

Fórmula (linguagem simples):

Para cada ONU, pegue o RX mais recente e jogue na faixa correspondente:
  ≥ −15 | −20 a −15 | −25 a −20 | −27 a −25 | < −27 | sem leitura
Conte quantas ONUs caíram em cada faixa.

De onde vêm os dados: o down_rx_pwr_onu mais recente de cada ONU.

Exemplo passo a passo:

ONUs com RX: −18, −19, −22, −26, −30, −17
  −18 → faixa −20 a −15
  −19 → faixa −20 a −15
  −22 → faixa −25 a −20
  −26 → faixa −27 a −25 (atenção)
  −30 → faixa < −27 (crítico)
  −17 → faixa −20 a −15
Resultado: (−20 a −15)=3 · (−25 a −20)=1 · (−27 a −25)=1 · (<−27)=1

O que significa: dá a "fotografia" da qualidade óptica da planta. Concentração nas faixas ruins = problema afetando muitos clientes ao mesmo tempo.

16.5 Atenuação óptica (perda no caminho)

Mede quanta força o sinal perdeu entre transmissor e receptor, em cada sentido.

Cálculo de atenuação óptica como diferença entre potência transmitida e recebida

Figura 3 — Atenuação é a diferença entre o que se transmite e o que chega: TX − RX.

Fórmula (linguagem simples):

Atenuação downstream = TX da OLT − RX da ONU
Atenuação upstream   = TX da ONU − RX da OLT

De onde vêm os dados: as quatro potências medidas: TX/RX da OLT e TX/RX da ONU.

Exemplo passo a passo:

Downstream:
  TX da OLT: +3 dBm
  RX da ONU: −22 dBm
  Atenuação = 3 − (−22) = 3 + 22 = 25 dB

Upstream:
  TX da ONU: +2 dBm
  RX da OLT: −24 dBm
  Atenuação = 2 − (−24) = 26 dB

O que significa: quanto maior a atenuação, pior o caminho de fibra. Numa rede GPON típica, valores muito acima de ~28–30 dB começam a preocupar. Atenuação subindo ao longo dos dias é o melhor aviso antecipado de fibra degradando.

Saiba mais: comparar atenuação de subida e descida ajuda a localizar a falha. Se só um sentido piora, o problema pode estar num componente específico do enlace.

16.6 Utilização de banda da porta (%)

Mostra o quão "cheia" está uma porta PON.

Fórmula (linguagem simples):

Utilização da porta = o maior valor entre (% de uso de entrada, % de uso de saída)

De onde vêm os dados: os percentuais de uso (IN e OUT) de cada porta PON, da telemetria.

Exemplo passo a passo:

Porta PON 1/3: uso de saída 78% | uso de entrada 22%
Utilização exibida = maior(78, 22) = 78%

O que significa: uma porta perto de 100% está saturada — os clientes daquela porta podem sentir lentidão no horário de pico. É um indicador de quando expandir/balancear a rede.

16.7 Saúde do servidor

Indicadores do próprio servidor do i‑Lumen.

Fórmula (linguagem simples):

CPU (%)     = uso atual de processador
Memória (%) = memória usada ÷ memória total × 100
Disco (%)   = disco usado ÷ disco total × 100
Carga       = média de processos aguardando (1, 5 e 15 min)

De onde vêm os dados: o sistema operacional do servidor, lido a cada minuto.

O que significa: se esses números ficam altos por muito tempo, o servidor pode atrasar coletas e deixar os dados desatualizados. É o "termômetro" da máquina que sustenta tudo.

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